HEARTHSTONEDe Olho no Meta – Formato Livre #4 – Xamãstone, o retorno!

Luiz Miguel 29 de junho de 2018

E aí pessoal, beleza? Já faz um tempo desde a última análise do formato Livre, mas essa semana a nossa fonte, o Data Reaper do Vicious Syndicate, acabou de publicar uma análise do Meta desse formato e… que diferença! Na última análise, eu ressaltei a força de 2 cards no Meta Livre: Chamado Às Armas e Bruxa Naga. A Blizzard ouviu os jogadores e da mesma maneira que sacudiram o Padrão, os nerfs causaram uma verdadeira reviravolta na cara do Livre e finalmente o Uther e o Gul’Dan entregaram as chaves do formato para o novo rei: Thrall!

A série de nerfs nos tempos de Karazhan e Geringontzan para reduzir a influência do Xamãstone no formato Padrão também teve consequências no formato Livre, e embora o Thrall nunca tenha deixado de ser um herói relevante, não vivia mais seus momentos de glória.

Pois bem, ele voltou. Se o Xamã Par já era um deck com alguma presença antes da última rodada de nerfs, após ela ele ascendeu como o novo líder do formato e agora resta ver se com todos os holofotes sobre ele, se ele ainda vai conseguir se manter como o dono do Meta.

Vamos então ver como ficou a divisão por classes:

  • Xamã – 16,32% (aumento de 10,55%) + 7 posições
  • Sacerdote – 14,34% (redução de 1,64%) +1 posição
  • Mago – 13,48% (redução de 1,64%) +1 posição
  • Bruxo – 11,64% (redução de 7,21%) -3 posições
  • Paladino – 11,64% (redução de 6,50%) -3 posições
  • Druida – 11,37% (aumento de 2,99%) – 1 posição
  • Ladino – 11,22% (aumento de 3,57%) – 1 posição
  • Caçador – 6,55% (aumento de 0,13%) – 1 posição
  • Guerreiro – 3,44% (redução de 0,23%) sem mudanças

Excluindo-se as 2 classes isoladas na rabeira (falarei deles mais adiante), a divisão de forças entre os heróis ficou bem mais parelha nesse novo Meta, mas o crescimento do Xamã é impressionante. Tão impressionante quanto uma inversão de uma tendência: geralmente no formato padrão temos decks com mais de 10% de Popularidade no Meta enquanto no Livre poucos rompem a barreira dos 7%. Se vocês deram uma olhada na última análise do Padrão, verão que eu modifiquei o corte dos 10% lá, e também modificarei aqui. Então vamos ver como ficou a divisão de Popularidade entre os arquétipos:

Popularidade

Tier 1 (10%+)

  • Xamã Par – 11,12% (fora da última análise)

Tier 2 (5 a 10%)

  • Mago Tempo – 7,40% (redução de 1,94%)
  • Sacerdote Big – 7,17% (aumento de 0,17%)
  • Ladino Mill – 5,81% (aumento de 1,28%)
  • Bruxo Reno – 5,59% (aumento de 1,05%)
  • Paladino Ímpar – 5,09% (fora da última análise)

Tier 3 (3 a 4,99%)

  • Paladino Aggro – 4,94% (aumento de 0,88%)
  • Druida Combo – 3,93% (fora da última análise)
  • Xamã Calafrarte – 3,38% (fora da última análise)
  • Mago Reno – 3,37% (aumento de 0,30%)

Tier 4 (2,99%-)

  • Ladino Ímpar – 2,96% (fora da última análise)
  • Bruxo Cubo – 2,95% (redução de 2,50%)
  • Druida Jade – 2,94% (redução de 0,14%)
  • Bruxo Zoo – 2,04% (fora da última análise)
  • Outros – 31,31% (aumento de 7,33%)

A alta quantidade de decks na categoria “Outros” é uma característica do formato Livre, mas essa quantidade reduzida de arquétipos rompendo o corte de 2% é uma novidade, mesmo nos dias de dominação do Sacerdote Highlander. Ok, então já sabemos quem são os caras mais comuns de enfrentarmos, mas e quanto às taxas de vitória, como fica o panorama?

Efetividade

Tier Arquétipo Percentual de Vitórias Variação em relação à última Análise Popularidade no Meta

Tier 1
(52%+)

Xamã Par 56,19% Fora da Análise
Paladino Ímpar 55,93% Fora da Análise
Ladino Ímpar 55,17% Fora da Análise 11º
Druida Jade 54,07% +4,91% 13º
Bruxo Reno 52,94% +3,71%
Sacerdote Big 52,62% +0,86%

Tier 2
(50 a52%)

Mago Tempo 51,90% -2,06%

Tier 3
(47 a 49%)

Druida Combo 49,54% Fora da Análise
Ladino Mill 49,36% +4,88%
Bruxo Cubo 49,23% -3,67% 12º
Mago Reno 48,38% +5,07% 10º
Paladino Aggro 47,48% -8,99%
Tier 4
(47%-)
Bruxo Zoo 46,11% Fora da Análise 14º
Xamã Calafrarte 42,30% Fora da Análise

 

O Bosque das Bruxas teve grande impacto no formato Livre após os nerfs, com vários decks que não existiam no último De Olho No Meta se fazendo notar no ranking de Efetividade – 3 decks da Mecânica de Par ou Ímpar nas cabeças do índice. Além dessa mecânica, temos mais outros 2 decks gerados pela expansão: Druida Combo, que adaptou o combo de Aviana + Kun para usar o Rei Fumbalumba em conjunto com a Azalina Furtalma para permanente trocar um deck vazio pelo deck do seu oponente; e o Xamã Calafrarte, que usa o lacaio que nomeia o deck para agarrar e urrar, mas infelizmente seus números são bem ruins no formato. Bruxo Zoo é único deck que não estava na última análise que não foi diretamente afetado pela expansão.

E se vocês perceberam que o Xamã Par é tanto o deck mais popular quanto o mais efetivo, vocês sabem o que isso signifca, não? Se ainda não sabem, então vamos à análise combinatória:

Força no Meta

Tier 1 (75-100)

  • Xamã Par – 100

Tier 2 (50-74,9)

  • Paladino Ímpar – 71,5
  • Sacerdote Big – 67,3
  • Mago Tempo – 65,9
  • Bruxo Reno – 61,2
  • Ladino Ímpar – 59,1
  • Druida Jade – 54,2

Tier 3 (25-49,9)

  • Ladino Mill – 47,5
  • Druida Combo – 40,8
  • Paladino Aggro – 37,1
  • Bruxo Cubo – 35,2
  • Mago Reno – 33,4

Tier 4 (0-24,9)

  • Bruxo Zoo – 18,3
  • Xamã Calafrarte – 9,0

Como o índice de Efetividade demonstrou, decks de mesa ampla (Xamã Par, Paladino Ímpar, Ladino Ímpar) estão em alta e, consequentemente, decks que tentam lidar com essas situações (Sacerdorte Big, Bruxo Reno, Druida Jade) têm encontrado espaço. Decks como Mago Tempo ou Ladino Mill ficaram presos nesse fogo cruzado, apanhando dos primeiros mas tentando se sobrepor aos segundos. Mas agora que o tamanho da ameaça do Xamã Par veio à tona, espera-se que o formato se adapte para contê-lo e encontremos um meta mais equilibrado na próxima análise. Ferramentas não faltam no formato.

Então vamos ver a análise arquétipo a arquétipo:

Decks de Xamã

Xamã Par

O novo rei do Meta, capaz de alcançar a nota máxima de Força no Meta (mais popular e mais efetivo). Ele é um deck Midrange mas que consegue mudar de marcha muito facilmente, indo para a agressão quando necessário ou controlando a mesa se a situação requerer. O fato de todos os cards de Jade serem pares ajuda em muito a estrutura do deck, adicionando mais valor às jogadas e constantemente evoluindo a sua mesa. Sua ascensão também indica o crescimento de decks de controle de mesa, então comece a ver efeitos de limpeza de mesa cada vez mais frequentes no formato.

• Adversários bons: Bruxo Zoo (72%), Ladino Mill (67%) e Aggro Paladin (65%)
• Adversários ruins: Bruxo Reno (43%), Sacerdote Big (45%) e Mago Reno (47%) – isso explica o sucesso o deck: mesmo os decks bons contra ele não são tão bons assim

Xamã Calafrarte

O deck de Combo mais popular do Padrão também fez a transição para o Livre, porém é bem menos efetivo. Algumas listas optam pelo mesmo combo de Bebe-Vida, outras optam por abusar dos Gritos de Guerra geradores de Golens de Jade, tendo o Grito do Repgunaz para protegê-los de remoções em massa. Muitas listas também se adaptaram em decks de Reno Jackson, usando o Calafrarte para “ficar ricos” várias vezes.

• Adversário bom: Mago Reno (57%)
• Adversários ruins: Bruxo Cubo (29%), Ladino Mill (31%) e Druida Combo (37%)

Decks de Sacerdote

Sacerdote Big

Barnes. Você conhece, você confia.

• Adversários bons: Mago Reno (70%), Bruxo Reno (68%) e Druida Jade (62%)
• Adversários ruins: Ladino Mill (23%), Ladino Ímpar (34%) e Mago Tempo (41%)

Decks de Mago

Mago Tempo

tem muitas dificuldades em segurar o rei do formato Livre, mas ainda tem seu lugar no Meta ao combate justamente os decks que surgiram para enfrentar a ameaça – é o counter do counter.

• Adversários bons: Ladino Mill (76%), Bruxo Cubo (67%) e Bruxo Zoo (61%)
• 
Adversários ruins: Paladino Ímpar (17%), Xamã Par (39%) e Ladino Ímpar (40%)

Mago Reno

Faz o caminho oposto: possui ferramentas suficientes para segurar a horda de totens do Xamã, mas tem dificuldade em lidar com ameaças não regulares, como Ruína dos Reis, monstros do Sacerdote Big ou golens de Jade infinitos, mesmo possuindo bastante espaço para encaixar respostas.

• Adversários bons: Paladino Aggro (57%), Mago Tempo (55%) e Xamã Par (53%)
• Adversários ruins: Sacerdote Big (30%), Ladino Mill (32%) e Druida Jade (37%)

Decks de Bruxo

Bruxo Reno

Traz de volta aos holofotes o bigodudo mais amado/odiado de Hearthstone como resposta à crescente ameaça do Thrall e decks que infestam a mesa. Como é comum nesses decks Highlanders, ele pode ser configurado de acordo com a necessidade – N’Zoth, Geist Esquivo, Gosmas, etc.

• Adversários bons: Paladino Ímpar (65%), Druida Combo (62%) e Druida Jade (61%)
• Adversários ruins: Sacerdote Big (32%), Bruxo Cubo (39%) e Ladino Mill (41%)

Bruxo Cubo

Por outro lado foi bem afetado pelos nerfs, especialmente contra decks agressivos, onde os 8 de vida do Pacto Sombrio faziam muita diferença. Mas ainda é uma ameaça aos decks mais lentos, pois o potencial explosivo ainda permanece.

• Adversários bons: Xamã Calafrarte (71%), Mago Reno (63%) e Paladino Ímpar (63%)
• 
Adversários ruins: Mago Tempo (33%), Ladino Ímpar (38%) e Sacerdote Big (38%)

Bruxo Zoo

Evoluiu ao novo meta usando mais sinergias de Demônios, sobretudo a Ira Demoníaca para lidar com mesas cheias.

• Adversário bom: Sacerdote Big (53%)
• Adversários ruins: Xamã Par (28%), Druida Combo (36%) e Mago Tempo (39%)

Decks de Paladino

Paladino Ímpar

Tem além do Subir de Nível!, a presença do Intendente e do Treinador de Cavalos para fazer uso do exército de Recrutas do Punho de Prata gerados pelo Poder Heróico buffado.

• Adversários bons: Mago Tempo (83%), Ladino Mill (73%) e Ladino Ímpar (62%)
• Adversários ruins: Bruxo Reno (35%), Bruxo Cubo (37%) e Xamã Par (42%)

Paladino Aggro

Por outro lado, não se recuperou do nerf. O deck que era um dos mais fortes do formato não conseguiu assimilar o aumento de custo do seu card mais forte.

• Adversários bons: Ladino Mill (65%) e Xamã Calafrarte (57%)
• Adversários ruins: Xamã Par (35%), Sacerdote Big (39%) e Druida Jade (41%)

Decks de Druida

Druida Combo

O Druida combo assumiu o posto de deck mais popular da classe ao trocar Malygos (embora listas com o dragão ainda existam) pelo Rei Fumbalumba + Azalina Furtalma. Mas a dificuldade do deck em lidar com os 2 mais efetivos do formato deve fazê-lo perder espaço.

• Adversários bons: Bruxo Zoo (64%), Mago Reno (57%) e Sacerdote Big (53%)
• Adversários ruins: Druida Jade (34%), Ladino Mill (38%) e Bruxo Reno (38%)

Druida Jade

Na direção oposta do deck acima, ressurgiu das trevas por lidar bem tanto contra Xamã Par quanto contra Ladino Ímpar. Está muito bem posicionado no momento.

• Adversários bons: Ladino Ímpar (70%), Druida Combo (66%) e Mago Reno (63%)
• Adversários ruins: Sacerdote Big (38%), Bruxo Reno (39%) e Ladino Mill (41%)

Decks de Ladino

Ladino Mill

Baseado em Oráculo da Luz Fria e Ruína dos Reis, segue na mesma onda do Mago Tempo: procura vencer os decks que vencem Xamã Par e Paladino Ímpar. Comparado aos seus índices da última análise, tem se mostrado um deck viável.

• Adversários bons: Sacerdote Big (77%), Xamã Calafrarte (69%) e Mago Reno (68%)
• Adversários ruins: Mago Tempo (24%), Ladino Ímpar (25%) e Paladino Ímpar (27%)

Ladino Ímpar

Mostrou a que veio e não aparenta que vá deixar o formato. Ferro Negro Bisbilhoteiro é um card bastante comum nas listas para resolver problemas com Xamã e Paladinos, enquanto cards como Coruja Bico-de-ferro e Espinheira Mortífera servem para lidar com Bruxos e Sacerdotes.

• Adversários bons: Ladino Mill (75%), Sacerdote Big (66%) e Bruxo Cubo (62%)
• Adversários ruins: Druida Jade (30%), Paladino Ímpar (38%) e Xamã Par (45%)

Decks de Caçador e Guerreiro

Embora nenhum dos decks dessas classes tenha quebrado a barreira dos 2% de presença do Meta e ambos heróis estejam distanciados na participação do Meta, esses números não batem com o nível de efetividade identificado por 2 decks dessas classes, Caçador Segredos e Guerreiro Piratas. Como ambos decks estão abaixo dos 2% de presença no Meta, seus números são menos sólidos que os de outros arquétipos, mas ambos possuem resultados que os colocariam em tiers viáveis de efetividade, portanto são boas opções para quem gosta das classes.

Caçador Segredos (Efetividade 54,02%), combina uma base de Cientista Louco, Caçadora Camuflada, Segredos e Esmeralda Mágica com um fim de jogo com Kathrena Fiálgida – bem semelhante ao Caçador Big que tem feito sucesso no formato Padrão. Algumas listas usam Urso do Bosque das Bruxas enquanto outras preferem Demossauro Carregado.

• Adversários bons: Mago Tempo (64%), Xamã Calafrarte (62%) e Paladino Aggro (61%)
• Adversários ruins: Paladino Ímpar (33%), Xamã Par (42%) e Druida Jade (42%)

Guerreiro Piratas (Efetividade 49,86%) foi outrora o deck mais dominante tanto do Padrão quanto do Livre, mas é apenas uma sombra de sua glória passada. Dito isso, é um deck capaz de enfrentar o Meta, embora muitos jogadores não se interessem mais pelo deck. Em parte, a culpa é do nerf no Remendo, que fez a grande maioria dos jogadores quebrarem seus lacaios lendários de 1 mana e não houve um grande incentivo em reconstruí-lo agora que ele não é mais peça onipresente em todos os decks do formato.

• Adversários bons: Ladino Mill (73%), Mago Tempo (63%) e Ladino Ímpar (61%)
• Adversários ruins: Xamã Par (37%), Bruxo Reno (43%) e Druida Combo (44%)

E então finalmente concluo essa análise do formato Livre! Espero que tenham gostado e qualquer crítica, comentário ou dúvida, é só entrar em contato. Um abraço e até a próxima!!

  • Everton Melo

    Resumo da minhas aventuras no modo livre: Xamã está forte? é hoje que pego lenda! Só encontro Bruxo Reno e Druida Jade… Quer saber, vou voltar para meu Big Priest… Encontro uma bela sequencia de odd rogue e Kingsbane… Eu nem sei por que ainda tento…

  • Andre Morais

    Xamãstone??? ta bem longe disso no meta do wild, ele pode tá até tier 1, mas as variação de decks control perde para ele não se o xamã de antigamente tivesse está porcentagem de win que ele tá agora, nem ganharia esse nome…