O que mudou nos padrões de consumo do brasileiro após a pandemia?

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Com o coronavírus, os brasileiros fizeram alterações na maneira de fazer compras

Gabriel Mecca 

Enquanto algumas empresas, como os supermercados e as bandeiras de cartão de crédito, não tiveram que fazer muito esforço para manter os lucros, outras precisaram de adaptações. Tudo isso para atender os novos padrões de consumo dos brasileiros neste momento de quarentena. Com todos em casa e grande parte das lojas físicas fechadas, é necessário alternativas para conseguir lucro. 

A primeira grande mudança foi nas vendas online. Ao invés das pessoas  irem a shoppings e experimentar roupas nas lojas, as compras passaram ser pela internet. O e-commerce ascendeu nos últimos meses. Em 2019, o varejo brasileiro vendeu apenas 5% dos produtos pela internet. Apenas no primeiro trimestre de 2020, o aumento foi de 26,7% em comparação com o mesmo período do ano passado. O faturamento do segmento atingiu R$ 20,4 bilhões. 

Dentro desse aumento, os produtos que se destacaram foi o de casa e decoração (128%), cosméticos (76%) e o de alimentação (45%). Muitos setores que anteriormente não atingiam tantas pessoas, agora está fazendo a diferença. Passando mais tempo em casa, as pessoas querem deixar o ambiente mais agradável. 

Além de compras pelas internet, o consumo de mídia online também cresceu quase que exponencialmente. As pessoas estão passando mais tempo conectadas e consumindo informação. Após o anúncio de quarentena feita pelo governo, o tempo médio nas redes sociais subiu 19%. E esse foi o menor dos aumentos. 

O consumo de jogos online cresceu 20% depois que as pessoas passaram mais tempo em casa. Entretenimento na internet também subiu 22,8%, destaque para o conteúdo familiar e infantil. Quem atestou todos esses aumentos foi a Comscore, empresa de análise de mídia. 

Vendo o aumento do consumo pela internet, a preocupação das operadoras cresceu na mesma proporção. É muito constante ver bairros mais distantes dos centros tendo problemas com conexão e passando horas sem acesso a rede. Um grande exemplo é a cidade de Guarulhos. 

Um outro cuidado que empresas estão tendo para não congestionar a internet, como a Globo Play, é baixar a qualidade das imagens de vídeos. Ao invés de disponibilizar vídeos em 1080p, a qualidade máxima será de 720p. Isso faz com que não sejam usados tantos dados para consumir conteúdos online. Até os downloads ficam mais velozes. 

Mas é importante lembrar que nem todas as linhas editoriais na internet tiveram um aumento de consumo. Viagem e turismo tiveram uma queda brutal de consumo. Ninguém mais está comprando passagens aéreas, reservando quartos de hotéis e observando lindas praias ou casas de campo. 

O setor do turismo não vai sofrer apenas durante o período da quarentena. Por conta da crise econômica em todo mundo e o aumento do dólar e euro de maneira, a tendência é o número de viagens diminuir. A ONU prevê um retrocesso de até 30% no turismo internacional após a pandemia.   

A grande dúvida entre os especialistas é se essas mudanças irão se manter depois que a economia for retomada. Depois que as lojas e os shoppings reabrirem, o consumo pela internet continuará alto? As marcas passarão a investir mais no e-commerce? 

A única certeza em relação ao encerramento da quarentena é a imprevisibilidade. Não é possível apontar nenhuma tendência em relação a economia quando a situação do coronavírus passar.

 

 

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